10 Dicas matadoras para atrair investimento para sua empresa/startup

Um dos passos mais importantes no percurso de uma startup é o momento de atrair investidores. Sendo empresas de pequeno porte, é comum que só consigam realmente tracionar o modelo de negócio a partir de um investimento considerável. E mesmo quando os negócios vão bem, é preciso mais do que alguns bons resultados para conquistar a confiança dos investidores, que precisam ser convencidos de que aquela startup vale o risco, acima de tantas outras que também estão em busca de investimento.

Mas ninguém vai investir em uma empresa bagunçada, sem um plano de crescimento robusto e bem estabelecido, ou que não demonstre nenhum tipo de vantagem competitiva no mercado em que atua. São muitos pontos que precisam ser analisados e planejados para convencer um investidor.

DICAS BÁSICAS

1) ESCALABILIDADE

Sabe-se que toda startup encontrará um limite em algum momento, um impedimento financeiro para escalar. O objetivo é mostrar aos investidores que esse é o maior obstáculo: você tem o serviço, tem o modelo de negócio certo e a equipe certa. Só falta o investimento pra decolar.

E você sabe o quê significa ESCALABILIDADE? Atualmente investidores gostam de startups/empresas escaláveis.

É preciso provar que aquela empresa é ESCALÁVEL, ou seja, que há uma forte demanda por aquela solução, que a startup/empresa consegue atender a essa demanda, e que a equipe está pronta para o desafio, que os números e projeções são realistas, entre outros aspectos.

2) VOCÊ PRECISA MESMO DE INVESTIMENTO?

Antes de correr até um banco e pedir um empréstimo, ou de aceitar uma oferta de um possível investidor, pergunte-se se é realmente necessário. Muitas vezes seu negócio não vai suportar os juros oferecidos. Por isso, avalie se ele não tem mais nenhuma possibilidade de crescer por conta própria.

Além do mais, quando um investidor investe na sua empresa, ele não está te dando dinheiro de presente, ele quer retorno, e ele quer o maior retorno possível. Há empreendedores que se vislumbram com uma oferta recebida e assinam qualquer coisa sem ter noção do preço que irão pagar por aquele investimento/aporte recebido.

Certifique-se também de que é o momento certo para receber investimentos. É preciso analisar o tamanho do mercado da empresa e garantir que ele suporte uma organização exponencial ou escalável.

3) DEFINA O MODELO DE CAPTAÇÃO A SER UTILIZADO

Existem diversos tipos de investidores que podem ajudá-lo. A definição do investimento é fundamental para iniciar a busca. Se a startup preferir um investidor-anjo, por exemplo, é possível que o encontre através de networking. Já no caso do crowdfunding, existem plataformas próprias para conectar empreendedores e investidores. Portanto, essa escolha define boa parte do processo, porque ela define tempo de captação, valores e agilidade no processo. Veja alguns tipos de investimento:

  • Capital semente, no qual o investidor fornece apenas o necessário para os primeiros passos da empresa. Aceleradoras e Incubadoras se enquadram nessa categoria.

Incubadoras. Se a sua ideia de negócio for uma startup, mas ela ainda está prematura e precisa ser lapidada antes de receber um aporte financeiro, é possível fazer isso dentro de uma incubadora. As incubadoras são ligadas a instituições de ensino e universidades que apoiam os empreendedores novatos.

Aceleradoras são uma espécie de evolução das incubadoras. Elas escolhem startups com grande potencial de crescimento e oferecem apoio financeiro, estrutura, consultoria e treinamento em troca de uma participação no capital da nova empresa. É interessante conhecer iniciativas como “Programa PRIME” da Finep, que empresta dinheiro aos empreendedores. Uma vantagem é que não precisa devolver o dinheiro.

  • Investidor-anjo geralmente é um profissional experiente que, além do aporte financeiro, também costuma oferecer aconselhamento. Investidores-anjo costumam aliar experiência ao aporte de capital.
  • Venture capital, onde é oferecida participação societária em troca do investimento. Tradicionalmente, se interessam por startups em estágio mais avançado.
  • Equity crowdfunding é um tipo de financiamento coletivo com diversos investidores, em que também há o retorno em participação societária para os investidores. O crowdfunding é mais conhecido como “vaquinha”. Sendo assim, com esse tipo de investimento várias pessoas podem te ajudar com o seu negócio. E elas podem contribuir com valores pequenos. De forma geral, o crowdfunding funciona melhor para as empresas que têm ideias de produtos inovadores. Assim, quem está interessado no produto ou serviço contribuem para que a ideia saia do papel. Há algumas plataformas de vaquinha virtual, como Catarse, Kickante, Vakinha, Indiegogo e Abacashi.
  • Empréstimo bancário. Esta é a opção mais clássica e talvez a primeira que vem à cabeça de novos empreendedores. Mas não se engane: ela geralmente é a mais cara. Bancos de fomento como o BNDES e bancos públicos como o Banco do Brasil, além de instituições privadas como o Santander, Itaú e Bradesco, costumam ter linhas destinadas a pequenas e médias empresas recém-nascidas. Mas cuidado!
  • Editais de fomento. Há também os editais de fomento, promovidos por diversas instituições públicas ou privadas. Há instituições como a empresa Natura, que investe em inovação, ou como a empresa Brasken, e até mesmo o SEBRAE. Organizações como estas (e muitas outras) estão sempre abrindo editais para captar ideias e investir nelas. Vale à pena estar atento a estes editais, pois muitas vezes as organizações financiam as startups sem exigir contrapartida financeira.

4) PLANEJE COM CUIDADO E COERÊNCIA

É necessário um PLANO DE NEGÓCIO bem estruturado. Com um plano de negócios completo e bem elaborado fica mais fácil conseguir um investidor. O plano de negócios estabelece, em grande parte, a confiança do investidor no futuro da startup. Os dados devem ser bem claros e transparentes, e o crescimento potencial deve ser realista. O PN deve ser o mais realista possível e deve demonstrar para o investidor quais são as perspectivas para curto, médio e longo prazos, com uma projeção adequada dos dados.

E o que deve ser definido no plano de negócios?

O PN deve contemplar aspectos como Variáveis de marketing (produto, preço, comunicação, distribuição e público-alvo); Projeções financeiras (custos fixos e custos variáveis, custos de produção, custos com capital humano); Análise da concorrência; Pontos fortes e fracos; Missão, visão e valores da organização; Oportunidades e ameaças; Diferenciais em relação à concorrência, entre outros aspectos. Quanto mais bem elaborado o PN, melhor. Para calcular o valor monetário de sua empresa, é preciso considerar aspectos como os investimentos necessários, prováveis riscos e gargalos, e a previsão de receitas e lucros potenciais.

Além disso, um BOM Plano de Negócios, bem estruturado para o mercado, precisa conter, no mínimo:

  1. Resumo executivo
  2. Visão e missão
  3. Descrição geral da empresa
  4. Análise estratégica do mercado e da concorrência por meio de ferramentas como SWOT, 5W2H, e Modelo das 5 Forças.
  5. Plano de Marketing e Vendas
  6. Plano Financeiro
  7. Análise da localização do negócio
  8. Plano Operacional
  9. Métricas e indicadores adequados ao negócio

No plano de negócios é importante ter muito claro o seu MODELO DE NEGÓCIO, assim como o cenário competitivo em que irá operar. Para saber mais sobre Modelo de Negócio, pesquise sobre “CANVAS Business Model”. Há muitos modelos e Templates de CANVAS na internet.

5) ESTABELEÇA O VALOR ADEQUADO PARA O APORTE DE INVESTIMENTO

O cenário ideal é quando a startup estabelece seu valor de mercado baseada em indicadores concretos, capazes de sobreviver aos questionamentos dos investidores. Portanto, planeje, mas seja realista.

6) DESENVOLVA SUA EQUIPE

Um dos fatores analisados pelo investidor é o time da empresa, ou seja, a qualidade da equipe. Mesmo as melhores ideias não resistem a uma cultura organizacional fraca e a uma equipe desmotivada. É preciso lembrar que o investidor irá investir em toda sua empresa. Por isso, é fundamental ter uma equipe boa e qualificada, que inspire confiança.

7) FAÇA A PROSPECÇÃO DE INVESTIDORES

Não fique parado esperando que os investidores apareçam. Tendo elaborado o PN, e demais documentos, procure os possíveis interessados…

  • Participando de eventos específicos, como o DemoDay de Startups;
  • Fazendo contato via LinkedIn;
  • Procurando em sites de organizações de investimento-anjo;
  • Verificando programas de incubação e aceleração;
  • Etc.

De toda forma, é importante ter networking. Assim, fica mais fácil atrair investidores alinhados ao seu modelo de negócio.

8) CAPRICHE NA APRESENTAÇÃO

Todos esses pontos precisam chegar ao investidor da forma mais esclarecedora possível e breve possível, por meio de uma apresentação (pitch), e de preferência com a apresentação de um Produto Mínimo Viável (MVP), ou um protótipo. O objetivo do pitch é mostrar que a ideia é viável e que se trata de um bom negócio para o investidor.

Construa um “pitch potente”. Pesquise como construir um bom pitch, assista os pitch de sucesso, há muitos no youtube. Os detalhes do plano de negócio servirão para embasar o pitch da empresa com detalhes sobre a startup, estratégias de marketing e vendas, conhecimento do mercado e da concorrência, estágio de desenvolvimento em que a empresa se encontra, tipo de investimento procurado, relação buscada com o investidor, valor pretendido e necessidade a ser atendida. Porém tudo apresentado de forma breve e sucinta. Lembre-se que pitch não é palestra.

É recomendável oferecer um pitch deck (ou folder), com um resumo de tudo que for tratado no pitch, para servir de material complementar e de rápida consulta.

9) SE JÁ HOUVER PROPOSTAS, ANALISE A FILOSOFIA DE INVESTIMENTO DO POTENCIAL INVESTIDOR

O principal objetivo de um investidor é o retorno financeiro. Se pensarmos no Google, Nubank, Airbnb e tantas outras startups de sucesso, é possível entender a importância de se acreditar numa ideia. Você precisa começar a entender a estratégia de investimento do investidor mesmo antes da primeira reunião. Nos primeiros contatos, questione se ele está buscando retorno de curto ou longo prazo, se seu interesse tem foco em algum setor específico ou critérios de localização.

Neste aspecto, alguns questionamentos importantes são:

  • O investidor entende ou tem experiência no seu negócio? A experiência de seu investidor no segmento ou o entendimento que ele tem de seu modelo de negócio são determinantes.
  • Qual é o processo de investimento do investidor? Evite falhas na comunicação e criação de falsas expectativas esclarecendo o que cada um espera dentro desse processo.
  • O que o investidor espera ao interagir e lidar com um CEO? Sempre traga questões relacionadas às expectativas sobre o futuro do seu negócio e os planos do investidor para ajudar a aumentar o valor de sua startup.

10) MAS E OS INVESTIDORES INTERNACIONAIS?

Veja também que há oportunidades de todo o tipo, e o empreendedor precisa saber procurar. Há, por exemplo, muitos investidores empresariais em busca de oportunidades de investimento lucrativas, não apenas em seu próprio país, mas também em outros países.

Dessa forma, atrair um investidor internacional, por exemplo, pode ser muito interessante. Ou seja, procure investidores no Brasil, mas dê alguma atenção também ao cenário internacional. Tornar-se global ajuda você a aproveitar o capital, a tecnologia e o talento que antes apenas as grandes empresas podiam acessar.

Aproveite as oportunidades de networking internacional. Conferências internacionais, encontros, competições, filiação a associações comerciais/empresariais são apenas algumas das maneiras offline que os empreendedores podem usar para expandir sua lista de contatos globais. Portanto, participe de feiras e conferências comerciais, competições internacionais de startups. Procure também por aceleradores e incubadoras globais de startups. muitas incubadoras também oferecem um espaço de coworking gratuito ou de baixo custo, ideal para pequenas equipes.