IMPACTO DA LOGÍSTICA BRASILEIRA NOS CONTRATOS DE EXPORTAÇÃO

Devido ao atual panorama econômico nacional, muitas empresas estão investindo em mercados externos, o que está tendo reflexos em exportações. Em 2016 o país teve superávit na balança comercial de U$$47 Bilhões. Se a tendência seguir em 2018, talvez seja um bom ano, já que a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 67 bilhões em 2017 (MDIC).

Cabe ressaltar, uma boa ferramenta de informação para empresas que querem empreender em mercados internacionais é o BMEI Report, estudo focado no comportamento de compra dos importadores de pequenas e médias empresas, segmento que representa 90% das empresas da América Latina. Dentre outras informações, o estudo mostra como importadores podem auxiliar exportadores a comercializarem seus produtos.

Entretanto, existe o fator Logística Nacional como complicador para as exportações, o que demanda muita criatividade dos empreendedores brasileiros. Conforme Nadir Moreno, presidente da UPS no Brasil, especialmente pequenas e médias empresas têm grande potencial para exportações, mas encontram sérios entraves logísticos, sendo atrasos nas entregas uma das principais consequências, conforme o estudo supracitado. Dados da CNI indicam que, por exemplo, as exportações para a vizinha Argentina são 7% menores do que a real capacidade devido à deterioração das rotas entre os dois países. 7% pode parecer pouco, mas a Argentina responde por 40% das exportações brasileiras, sendo que do total, a principal rota usada para levar produtos manufaturados ao país é rodoviária (48% do total), seguida pela marítima, (45%), e fluvial (4%).

Tal panorama é preocupante e sem perspectiva de melhoras, máxime quando se verifica que as condições das estradas brasileiras até pioraram no Brasil, país que gasta mais com acidentes do que com infraestrutura rodoviária (conforme CNT, em 2016 se gastou R$8,61 bilhões em infraestrutura rodoviária contra mais de R$10 bilhões em acidentes). E o modal rodoviário, do qual a logística nacional é altamente dependente, não tem perspectivas de melhora, não sendo parte das pautas estratégicas de governo (Matheus Castro – CNI).

Um dos grandes desafios em termos de estratégia nacional para a exportação é a interligação entre produtores, rodovias e portos, já que a infraestrutura nacional não consegue atender à demanda internacional por produtos. Isto é uma lástima para um país enorme, com grande potencial exportador. A título de comparação, a Coreia do Sul, país com pouca matéria-prima, exportou US$550 bilhões em manufaturados no ano de 2015, o que traz reflexões: será o parque fabril deles muito maior do que o brasileiro? Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, não. Mas o Brasil exportou apenas US$185,24 bilhões em 2016 (MDIC), sendo que o recorde foi em 2011 com US$256 bilhões, mesmo assim abaixo da Coreia do Sul, como se pode ver. Para o presidente da AEB, isso significa que o país parou no tempo, sendo altamente necessários investimentos em infraestrutura para minimizar o custo da logística nacional, e alavancar exportações.

LUZ NO FIM DO TÚNEL

Mas o empreendedor brasileiro não desiste nunca. Conforme pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras”, da Confederação Nacional da Indústria em parceria com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, apesar da baixa exportação para países da Ásia, Oceania e Oriente Médio, há um interesse crescente dos exportadores em tais destinos, já que atualmente 8% das empresas brasileiras atuam nestas três regiões, mas 23% dos exportadores visam atuar nestes mercados. Ainda, o diretor da unidade de negócios de Gestão do Comercio Exterior da Thomson Reuters no Brasil, Menotti Franceschini, destaca que nos últimos anos o foco das empresas que operavam no Brasil esteve direcionado para o mercado local, à época bem aquecido. Entretanto, já em 2015 se verificavam mudanças em tal panorama pela percepção no aumento de 1.224 novas empresas fazendo negócios internacionais, o que é uma sinalização do mercado.

Há várias pequenas oportunidades que se bem aproveitadas podem fazer diferença significativa. Para o superintendente adjunto do Sistema OCEPAR, o planejamento de projetos de engenharia no setor de logística pode alavancar o país, pois apesar de o país perder dinheiro com a precariedade logística, o produto nacional é competitivo, a exemplo da qualidade e produtividade das lavouras, sendo que com um pouco de esforço e possível deslanchar no mercado internacional.

REFERÊNCIAS